Feliz ano novo!

fevereiro 24, 2014 7:00 pm

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Não estou de branco, as taças já foram guardadas faz tempo e provavelmente o título não esteja fazendo sentido pra ninguém além de mim. Precisa fazer? Sempre fui apaixonada por novos começos, tanto que uma das coisas que me faz gostar tanto de aniversários é que seja o nosso ’31 de dezembro’ particular. Pra sentar na cadeira, repassar os meses, projetar mudanças, dançar sozinho… Mas também não é meu aniversário. Então que porra é essa? Simples, é o fim de um dos períodos mais perdidos de todos os tempos: o tal ano de vestibular. Nada mais justo que uma retrospectiva, pra se despedir, pra recomeçar (principalmente aqui no blog, que foi tão abandonado nesses últimos 12 meses), mas, principalmente, pra mostrar, a quem interessar possa, que o vestibular é um monstro sim, mas que a gente não precisa se intimidar por ele.

Sim, eu consegui a vaga que queria. E não, esse não vai ser um texto com modelos de como dividir as horas de estudo (visto que devo ter seguido meus horários à risca por exatos 3 dias), ou abandonar tudo e se enfiar nos livros. Pelo contrário. Durante esses meses todos eu devia ser uma das pessoas que menos tinha o estereótipo ‘estudante número 1’. É óbvio que abri mão de algumas coisas (séries, livros novos, uma renovação de estágio, o próprio blog), mas ao mesmo tempo não devo ter perdido uma festa, um domingo de sol com os amigos. Declarei fins de semana como sagrados. Oi? Pois é. Mito 1: ‘o vestibulando não pode sair de casa’. Maior idiotice de todos os tempos. O que interessa não é como não nos divertimos nesse tempo que por si só já é tão complicado, mas sim o quanto aproveitamos o tempo que dedicamos para estudar. Eu me conhecia, sendo assim sabia que se ficasse em casa no fim de semana ia ficar pensando em quanta coisa devia estar acontecendo lá fora e não ia sair da primeira linha daquela seleta barroca de 25 poemas. Ia adiantar? Não. Preferia estar aproveitando esse tempo e assim levava a semana, as aulas e o tempo que estudava em casa mais a sério e mais tranquila. Daqui a pouco já ia ter outro fim de semana e por 48 horas ‘the dog days are over’.

É claro que nem todo mundo pode ficar a semana inteira em casa estudando, se puderem eu indicaria, mas não é um luxo que todos podem se dar. Estagiei até setembro (provas em janeiro), é complicado, é cansativo, é momento de dormir até enquanto espera na fila do banheiro já que o tempo se torna o maior inimigo e sono nem sempre é prioridade. Tempo de ler livros que não quer ler (embora no percurso surjam obras que são ótimas surpresas), focar em matérias que detesta (blrr química) e que provavelmente nem vá usar nunca mais (blrr química), abraçar os conteúdos que gosta, decorar formulas (quem dera!) com frases idiotas, se descabelar porque se sente a pessoa mais burra do universo, comemorar porque nem era tão burra assim. De perder o controle. De se sentir culpado porque não fez o suficiente. De achar que já fez demais.  Mas é tudo uma questão de organizar consigo mesmo uma rotina que funcione, que ao invés de pesar, ande grudadinha com a gente. Não vai ser divertido/minha nossa, uau!, mas faz com que o caminho seja mais simples. E simplicidade é palavra chave.

Aí finalmente chega a semana de provas. A pior semana. O inferno astral. Os dias mais cansativos de todos, em que a pressão atinge o nível mais alto, que só de olhar pra família e pensar em quanto eles investiram pra você ir lá e acertar 8/25 em física já da vontade de chorar um balde de diamantes, de pensar que tinha que ter estudado mais, deixado mais coisas de lado. Hora de ver que quinze por vaga realmente é muita gente e que aquela praça na frente da escola onde é a sua prova está lotada de gente querendo a mesma coisa. E se eles estudaram mais? E se vieram de uma escola melhor? Dias de não piscar nas aulas de revisão do conteúdo do dia seguinte. De ler páginas e páginas sem sequer saber o que está lendo, só pra que o tempo passe e acabe de uma vez. E quando acaba, mesmo com todas as besteiras, a gente automaticamente perde 12kg. Se o nome vai estar na lista ou não pouco importa. Acabou.

Foi doloroso? Nossa! Provavelmente o ano em que eu tenha menos dormido, mais chorado, mais mentalizado que estava jogando tudo pro alto e virado hippie de praia. Ao mesmo tempo, e só quem viveu esse ano comigo pode entender, um dos anos em que eu mais me diverti. Além de todas as pessoas incríveis que eu já tinha, conheci colegas que viraram amigos, professores apaixonados por suas disciplinas, uma cidade bem maior que essa de interior que eu tanto quero sair. Acima de tudo, me conheci melhor. Com os resultados das universidades, tive que entrar fundo no que queria e me preparar para, se preciso fosse, abandonar tudo e ir morar do outro lado do estado. Sem família, sem amigos, sem roupa lavada e almoço me esperando, sem ninguém além de mim.

No fim, depois de me descabelar 975 vezes, a lista que eu realmente queria tinha meu nome. Na verdade, nem me achei na primeira vez (se não fossem os amigos, essa hora eu estaria me mudando por simplesmente não ver meu nome).  Gritei uns cinco minutos, correndo em círculos. Perdi mais 32kg de cada ombro. Tinha valido a pena. Não pela chegada, mas pela jornada inteira. Então que estourem os fogos e comece o ano novo. E de conselho pra quem ainda vai embarcar nessa montanha russa, façam que o caminho seja o mais feliz possível. Os resultados são reflexos disso.

Texto: Marcie



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