The You

novembro 14, 2015 5:25 pm

Então é hoje. Finalmente. Inacreditavelmente. Se bem que, desde que você apareceu por aqui, o que não é inacreditável? Você chegou incendiando meu confortável castelo, sem nem pedir desculpas e quando vi, estava criando jardins e planos para que você ficasse mais um pouco na minha cama. Na minha vida. E sim, isso é demais. Mais que todos as histórias que inventei para conquistar pessoas, mais que todos meus adeuses mirabolantes e minhas ‘missões’. Te fazer ficar, todos os dias, foi sem dúvida meu plano mais difícil e do qual eu mais me orgulho. Você era incrível, em cada pedaço, enquanto dançava, ou contava histórias sobre sua vida de celebridade teen. Com sua coragem de deixar tudo pra trás e começar a vida do zero, com sua risada barulhenta e os medos do futuro. Com a vontade de voar longe e viver um pouco em cada país do mundo. Sem perceber, eu já estava com as malas prontas, comprando uma passagem sem volta.

Você não estava nos planos, minhas metas de ano novo passavam bem longe de encontrar alguém para dividir a última cerveja da geladeira. Ora dividir! Eu nunca fui bom em nada disso. Na verdade, sequer tentei. Ser sozinho e aproveitar do jeito que eu quisesse tudo que o mundo tinha a oferecer sempre foi minha coisa preferida, o tópico para me gabar na roda de amigos que já estavam fazendo planos para a cor da parede do seu apartamento de casal. Patéticos! Foi então que de repente, estar sozinho se tornou sinônimo de solidão se você não estivesse aqui. E quem virou o patético? Pois é. Eu. Apavorado em tudo o que você é. Pedindo pra sei lá quem que você seguisse me vendo do jeito que vê, com os olhos claros brilhando e um sorriso perdido enquanto balança o copo de uísque.

Eu comprei suas flores preferidas. E tenho quase certeza que vai nevar essa noite. Tenho checado a previsão do tempo como um louco, só para criar o melhor cenário que você poderia encontrar. E isso não só no seu lugar preferido da cidade, que é onde eu estou agora, congelando de frio esperando você chegar. Mas também em mim. Fiz uma faxina gigantesca, mudei as estantes de lugar e um monte de coisas para a lixeira, tudo para que você tenha o lugar que mereça nesse forte que sempre fui, com o máximo de espaço (que ainda não parece o suficiente). Não tenho mais unhas para roer. Desculpe, eu sei que você odeia, mas não consigo mais esperar. Ao mesmo tempo sorrio, pensando em como tudo isso é irônico. Os últimos anos passam como se fossem um filme, com nossos melhores e piores momentos. Sorrio mais uma vez. A certeza segue a mesma.

Então é hoje. Finalmente. Inacreditavelmente. Você, mais uma vez, está atrasada. Deve estar pegando um táxi para me impedir de fazer a maior burrada da minha vida. É bem possível que esteja me odiando agora. Que não acredite em como eu pude ser tão idiota. ‘Eu já devia saber, é bem feito, burra!’. Finalmente chega. Sobe os andares correndo, afinal qualquer tempo perdido pode ser demais. Minhas pernas já formigam por estar de joelhos há tanto tempo.  Você abre a porta. Olha para minhas mãos estendidas e sorri. Não era burrada. Era você. Meu maior acerto. Eu? Finalmente estou aqui, esperando pelo melhor. Então diga sim. Por favor. Diga. Eu não sei o que fazer com o resto dos meus dias caso você não disser.

Texto: Marcie



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