The mess I made

Abril 16, 2013 4:09 pm

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Oi. Pois é, quem diria que algum dia começaria uma conversa com você de uma forma tão trivial. Você não devia ser trivial, querida, me desculpe. Sejamos diretos então, sei que estraguei tudo. Tudo que éramos, tudo que poderíamos ser… sinto tanto, mas tanto, que meus números (que sempre brigaram com suas letras) não são capazes de demonstrar o quanto. Quem diria que até eles iriam me abandonar? Mesmo assim, a única coisa que continua me deixando sem dormir é você.

Não sei como você está, se seu sonho está a tratando tão bem quanto você merece ser tratada, mas consigo claramente te enxergar em um café, em Amsterdã, tomando chá, porque café em um café seria óbvio demais. Mais uma das suas maluquices, que no início eu estranhava, mas que hoje me fazem sentir mais ainda a sua falta. Eu não devia ter te deixado ir assim, querida. Aliás, às vezes ainda te espero chegar com uma forma de bolinhos coloridos – CUPCAKES PEDRO, CU-P-CA-KES – queimados e histórias trágicas sobre seus dotes culinários. Espero que você não saiba, mas já perdi a conta de quantas vezes liguei para sua casa e ao ouvir a voz cuidadosa de sua mãe, lembrei que você não estava lá. E não estará, pelos próximos 23 meses. Não acredite em sua mãe se ela disser que eu estou enlouquecendo, apenas não estou acostumado a não ter mais a melhor coisa que já tive.

Fui um idiota Ana, eu sei. Ao invés de acabar com tudo e sair gritando aos quatro ventos que você não se importava com a gente e fosse se foder com aquela cidade de merda, devia ter dito que te amava e, que pelo tempo que precisasse, estaria te esperando aqui. Devia ter te segurando firme em meus braços na noite antes de você partir e não te deixar dormir até que tivesse me prometido cinquenta vezes que iria pensar em nós, que jantaríamos toda quinta-feira (com o computador), que, não importava quão difícil isso iria ser, estaria do seu lado. Devia ter secado suas lágrimas no portão de embarque e ter te empurrado para aquele corredor, recebendo seu último sorriso antes de entrar no seu mundo novo. Desculpe. Mas não pense que foi fácil te ver partir de longe sem implorar para que você ficasse. Foi difícil, tão difícil…

Vendi minha guitarra, meu violão, minha moto que você tanto amava. Entrei em um avião. E tinha razão, detesto voar, você deve ter gostado e contado nuvens enquanto rabiscava em seu bloquinho. Talvez tenha pensado em mim… Mas tenho que te dizer, você também tinha razão. Não era uma cidade de merda, aliás esse lugar combina tanto com você que só de andar nas ruas já quase me sinto em casa. Mesmo assim, quase sentir não é sentir. Então desce, Ana, estou congelando aqui fora e mesmo sem guitarra, minhas malas estão pesadas. Meu coração está pesado. E, depois de tudo, só você pode resolver isso.

Texto: Marcie



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