Mais uma vez você

dezembro 24, 2011 2:54 pm

As minhas mãos ainda tremem. Olho para as unhas que eu tinha feito antes de sair e que agora não passam de restos. Ligo a TV, o player de música, o ventilador barulhento, tudo que possa silenciar o meu pensamento que dá voltas e mais voltas no mesmo ponto: você, eu e como você pode desaparecer por meses e quando volta ainda me faz ficar em êxtase.

Se eu pudesse apostar, acredito que está com alguma garota aproveitando, afinal é sexta-feira. Eu estava aproveitando com meus amigos, rindo insanamente, me divertindo, dividindo histórias do passado, então tocam em seu nome, é claro, todos sabem. Eu digo que você se foi há tanto tempo, voltou e fui a única que não te reencontrei, agradeço aos céus por isso, já que sei como fico quando te vejo e como vou ficar tentando te encontrar a cada esquina, o que chega a ser patético, eu sei disso.

E então você surge do nada, depois de mais de um ano, enquanto eu procuro algo que caiu da bolsa e parecia ser meu celular, e com um oi despreocupado e toda sua marra sorri. Eu nem percebo que você está aqui, afinal encontrei o que procurava. E esse oi devia ser só mais um engraçadinho. Quando olho, você já está de costas indo para qualquer lugar. Me espanto, já que essas coincidências não aconteciam há tempos. Ao mesmo tempo que tenho vontade de sair correndo e gritando “POR QUE AGORA MEU DEUS?” queria ter te visto quando você me olhou e dizer um ‘oi.’ ou sorrir como  se te ver não tivesse nenhum efeito sobre mim. Você nem deve saber que tem, mas eu infelizmente sei.

Como um roupeiro bagunçado quando é aberto meus sentimentos amassados e trancafiados a empurrões voltam e eu fico com raiva de mim por nunca conseguir te responder da forma que queria, por ter me apaixonado por uma pessoa graças a uma noite, por deixar meu mundo se transformar nessa bagunça por coisas tão pequenas e não fazer nada para mudar nossa situação de encontros e desencontros. Fico com raiva de você não prestar, de ser um galinha que ao passar por mim deve pensar “uhm, a guria que eu fiquei um dia”, dos seus olhos claros tão lindos, da sua trancinha esquisita que não faz nenhum sentido.

Eu queria saber o que se passa na sua cabeça quando me sorri, quando me chama na rua pela cor de roupa que estou, quando mesmo que acompanhado fica me encarando, eu queria tanto saber se você lembra de mim como eu lembro de você. Mas acima de qualquer coisa, eu queria poder te encontrar agora em uma festa, sorrir e te chamar pra conversar, perguntar se ainda lembra de mim e te oferecer uma noite, exatamente como você me ofereceu e eu não aceitei (se eu tivesse aceitado onde estaríamos agora?). Eu iria dançar com você de novo, contar qualquer coisa sobre mim, fugir pra você me puxar de volta, me fazer de difícil só pra você me conquistar… e dessa vez, ao invés de uma garota  eu seria a sua garota disposta a perder outro colar e te chamar de meu, mesmo que por pouco tempo.

Texto: Marcie



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