Domingos agridoces

setembro 2, 2015 3:54 pm

fotoExistem certos momentos que a gente precisa respirar, digerir, pra só depois conseguir entender, tamanha a dimensão. O último domingo, sem dúvidas, poderia ser encaixado em um desses e, por mais que não seja o assunto que o blog costuma abordar, é algo que eu não podia deixar de dividir aqui. Para quem não sabe, nesse domingo, aconteceu lá no Opinião o tão esperado show da Banda Tópaz que tinha como objetivo arrecadar fundos para o tratamento do vocalista Cris Möller, que sofreu um grave acidente de moto no ano passado. Desde então, Cris segue fora dos palcos, focando em sua recuperação e o resto da banda tocando seus projetos paralelos. Uma lamentável e forçada pausa, logo após o lançamento do incrível disco ‘Nós Somos Os Piores’ e diversas datas para uma turnê nacional marcadas.

Foi no Opinião também que a banda fez o primeiro – e talvez único – show dessa promissora turnê. A casa lotou, em um encontro emocionante com os fãs que realmente acompanham a Tópaz, a ponto de terem todas as letras na ponta da língua, quando o CD tinha sido lançado a menos de uma semana da data da apresentação. Os próprios músicos se surpreenderam. E se a gente já se emocionava aí, nem fazia a menor ideia do que estava por vir; mais uma vez, os fãs encheram os pulmões (e os bolsos com lencinhos) e foram para o show mais agridoce da história da banda. Com a participação de Thedy Corrêa (Nenhum de Nós) e de Lucas Silveira (Fresno), Alexandre, Neko, Lorenzo e Emílio conduziram a apresentação do jeito mais leve que puderam, soltando, de vez em quando “Como é difícil isso aqui”. Realmente, foi difícil. Ver o palco sem Cris, sempre localizado no meio, incomodou o tempo inteiro, como uma espécie de espinho que a gente não pode tirar. Mesmo assim, para quem não presenciou (grande erro!), foi uma noite belíssima dentro de suas particularidades. Triste, mas bela. Como tinha que ser. Menção honrosa à música ‘Suicídio ao Contrário’ que, se antes já tinha um sentido forte, agora, arrepia.

Passando mais rápido que o normal, deixando mais sem voz também, o concerto foi não só emocionante pela ausência de Cris, pela proposta de ajudá-lo, ou por ser uma espécie de tributo, mas também, por, em tempos julgados tão individualistas, tantas pessoas se juntarem em um domingo à noite em torno de uma causa tão nobre. Se bem que, pra quem sabe falar ÄCELUMDISPERILOSIUOSO, sem esquecer, obviamente, a trema lá no ‘A’, poderia se esperar menos? Para quem quiser ver um pedacinho, tão pequeno de tudo que isso foi, só clicar aqui.

Texto: Marcie



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