A saga de alugar apartamento em Porto Alegre

julho 17, 2016 7:46 pm

Então aquele momento de sair da casinha dos pais chegou. Depois de muita organização e planilha calculando até o valor gasto em depilação, inicia a procura por aquele lugarzinho lindo, com uma sacada no quarto e tudo que a gente sempre sonhou. Milhares de sites de imóveis salvos nos favoritos do navegador, uma boa xícara de chá e uma boa dose de expectativa, não deve ser tão difícil assim. E é aí, queridxs, que eu venho contar uma coisa, principalmente para quem pretende alugar apartamento em Porto Alegre: não tá fácil não, se prepare para, muitas vezes, ser mal atendido ou acabar visitando lugares infestados por cupins por um preço muuuuuito mais alto do que deveria custar.

O orçamento não era muito alto, os requisitos também não: um apartamentinho legal, perto da faculdade e do trabalho, que fosse grande o suficiente para que eu, o namorado, a bicicleta do namorado e o resto das nossas coisas, pudessem conviver harmoniosamente. É claro que se tivesse uma banheira e uma sacada no quarto seria maravilhoso, mas se não tivesse não seria o fim do mundo. Com todos esses dados em mente começamos a busca nos sites de imobiliárias e, gente, como as fotos de imóveis podem ser tão mal feitas? É foto que tu não consegue entender de qual cômodo se trata, de banheiro sujo, da maçaneta da porta (??????), de um pedaço de piso, enfim, é absurdo como o retrato dos apartamentos é parte decisiva para a visita e, mesmo assim, é tratado com tanto descaso.

Depois de muito quebra-cabeça para montar os cômodos pelas fotos, começa o agendamento das visitas e, com ele, mais problemas: os horários. “Bom, moça, você pode pegar a chave por uma hora, funcionamos das 10h às 16h”. Nem vou entrar muito nessa questão, mas que os horários poderiam ser mais flexíveis para quem trabalha durante o dia, podiam. Perdi alguns almoços e começamos as visitas. O primeiro prédio era bem pequeno, antigo e com a tal sacada no quarto. Uma fofurinha pelas fotos, com cozinha americana. Chegamos já nos sentindo os sortudos pela possibilidade de encontrar na primeira visita (kkkkkkk, ingênuos).

O prédio era bem pequeno, com escadas estreitas. Quatro andares depois demos de cara com uma sala pequena, cozinha americana e bancada. Sorrimos. Já posicionamos o sofá e contamos quantos amigos poderiam estar ali ao mesmo tempo (ingênuos kkkkk). Abrimos a porta do quarto, nossa parte preferida graças à sacada, EIS QUE ou cabíamos nós dois, ou cabia a sacada rs. O quarto era minúsculo, mas M I N Ú S C U L O. “Mas não era assim na foto!” Claro que não era, nós que fomos ingênuos de não notar que naquela metragem descrita não cabia tudo. Dessa forma, fica o conselho de sempre calcularem a metragem, assim, mesmo com os truques de foto, o coraçãozinho de vocês não vai ser quebrado como foi o nosso #dramas.

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Felizões com a cozinha/sala (ingênuos kkkk)

Com a típica vergonha de quem foi tão ingênuo, seguimos procurando. De repente, vaga um apartamento literalmente do lado da minha faculdade. O condomínio era bem elevado para um prédio que não tinha nem porteiro eletrônico, mas, novamente, o sonho da sacada fez com que marcássemos a visita para o mais breve possível. Chegamos e a primeira coisa que nos recebeu foram os cupins. Ok, prédio antigo tem cupim, mas agora a porta estar praticamente caindo por já ter sido comida por eles………… Entramos e a cada cômodo que conhecíamos nossa surpresa era maior: banheiro entupido, fezes de rato, poeira, sujeira e cupins repousavam tranquilamente em um lugar que parecia não ser visitado há anos. Mesmo com tudo isso, o apartamento era espaçoso, com tudo que precisávamos. Passado o horror, encaminhamos um email para a imobiliária com fotos do que tínhamos visto por lá e perguntando o que eles fariam à respeito caso quiséssemos alugar.

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A responsável por todo o sofrer: sacada no quarto

“Nossa, certo que ela vai pedir mil desculpas. Olha a bagunça que tava aquilo ali, meu Deus”. O email que recebemos foi beeeem diferente disso. Pouca vontade de resolver o problema e aquela vibe de ‘não querem, ok’. Sem entender muito bem como eles achavam que iriam alugar algo naquelas condições, voltamos para a busca nos sites e foi aí, bem aí, que encontramos tudo aquilo que estávamos procurando: um lugar legal e pessoas que queriam realmente nos atender, entendendo nossas necessidades. Inclusive, beijos pro Seu Luís, nosso zelador, e pra Daiane, nossa corretora. Em menos de um mês nos instalamos no novo apartamento e estamos muito felizes, mesmo sem a tal sacada.

O primeiro imóvel, seja alugado ou comprado, com 500 mil ou 100m², é um momento muito importante na vida das pessoas, é independência, liberdade, início de uma trajetória na tal vida adulta, recomeço, entre milhares de possíveis sentimentos. Dessa forma, é um absurdo que eu me sinta sortuda por ter encontrado o nosso na terceira tentativa, quando deveria ter sido bem atendida desde o primeiro momento. Dispostos a atender uma geração que cada vez mais valoriza as experiências, é inadmissível ter que fechar o nariz para entrar em um banheiro porque ele está deplorável e, ao reclamar, dar de cara com alguém que não quer ouvir. É preciso pensar no cliente e, acima disso, se você, imobiliária/proprietário, consumiria o que está ofertando.

Texto: Marcie



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