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Maio 16, 2014 7:33 pm

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Calma, coloca a água pra esquentar, pega o chá verde e a caixa de chocolates. Sim, dá tempo de colocar a coletânea de Coldplay pra tocar nesse seu novo player que acha os artistas mais fantásticos de cada canto do planeta (que continuam não sendo melhores que seus clássicos). É, ‘taí’, os vinte. Duas décadas. 12+8. 19+1. Números. Risadas. Um caminho cheio de curvas, antíteses, clichês, amigos, músicas, mãos pro alto com olhos fechados e foda-ses. Promessas de mais curvas, antíteses, clichês, amigos, músicas, mãos pro alto com os olhos fechados e foda-ses. E nós, tão inquietas, mal podemos esperar.

Durante esse tempo sempre fomos daquelas pessoas que acreditam que a viagem é melhor do que a chegada, então, honestamente, que a gente nunca chegue. Que a viagem seja constante, com paradas em cidades desconhecidas, amores de um dia, estabilidades, instabilidades, danças na chuva, choros no sol. Que tudo que nós juntarmos caiba em uma mala. Que o que não couber na mala, arranjemos espaço no coração. E o que não couber no coração, simplesmente vá, sem ressentimentos.  Que seja intenso, que seja poesia, ou uma crônica bagunçada.

Que continuemos escrevendo, para todos nossos cafajestes e amigos, mas, principalmente, para nós. Que as músicas ainda nos conquistem e nos façam inventar histórias, todos os dias. Que a gente ainda se conquiste, passe vinte vezes na frente do espelho e ame batom vermelho em uma quarta de manhã, quando o mundo acha completamente inapropriado. Que sejamos inapropriadas, intensas, incensuráveis e comemoremos isso. Que nosso sorriso seja doce, nosso grito alto, que ‘corramos selvagens, brilhemos no escuro’ e não tenhamos medo de tatuar isso no ombro porque parece a frase que faz mais sentido nesse mundo todo. Que esse mundo todo continue sem sentido.

Que a gente continue se conhecendo tão bem, com nossos dramas, alegrias e sentimentos esquisitos. Acima de tudo isso, que nos próximos um, dez, doze, vinte anos continuemos nos apaixonando, toda hora, pelo atendente da livraria, professores de história, bandas da Finlândia, olhos azuis de Justin Timberlake, noites estreladas, tardes invernais de sol, textos, olhares intensos, atitudes, histórias, lugares… Que o nosso coração seja cheio, mas insaciável… Feliz… Agora, vai lá, receber os abraços e ler os textos mais lindos das pessoas que durante esse amontoado de dias fizeram das nossas décadas as melhores. Tenho certeza que você vai sorrir e se surpreender com o quanto foi importante pra elas, vai querer apertá-las e dizer o quanto foram importantes pra você, fique calma, elas sabem e, se não souberem, que a gente saiba demonstrar, não só hoje, mas sempre, o que se passa por aqui. Que por aqui passe muita coisa, sempre.

Texto: Marcie



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